O cartunista Santiago foi mais uma vez censurado devido as suas posições políticas.Depois de ter sido dispensado pelo Jornal do Comércio de Porto Alegre, foi a vez da Reviata do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Sul(CREA-RS).
CaRtunista demitido por criticar empREiteiRas
Durante 19 anos ilustrando o cotidiano político do Rio Grande do Sul, Santiago deixará, a pedido do presidente do CREA-RS, Alcides Capoani, sua função na Revista.
Obviamente trata-se de um eufemismo nosso dizer que Capoani o demitiu. Na verdade, a demissão de Santiago é uma manobra das grandes incorporadoras e empreiteras.
O Rio Grande do Sul vive um momento de profunda obscuridade. Corrupção, intervenção direta de seitas como a Maçonaria e a Opus Dei nas decisões de governo. A democracia e os ideais republicanos são uma farsa. Não há espaço para o pensamento divergente. Qualquer discussão ou debate é visto como algo negativo. Não estamos nem referindo ao acúmulo de denúncias de corrupção que pesam sobre o Governo Yeda (PSDB) e seu aliados (PMDB, PTB e PP).
Neltair Rebés Abreu, o Santiago, nasceu em 1950 em Santiago do Boqueirão, motivo do apelido dado pelos colegas da Faculdade de Arquitetura na década de 1970.
Como cartunista é reconhecido internacionalmente tendo papado premios no Canadá,no Sofia Press da Bulgária e no Yomiuri Shimbun do Japão, só para citar alguns.
Como cidadão, Santiago se destaca como um artista que jamais se furta de emitir sua opinião política sobre o vive e vê. Ou seja, não vive naquela bolha que 90% dos artistas de qualquer área se coloca em relação a sociedade.
Pois foi exatamente por defender suas posições, em especial nos recentes casos de especulação imobiliária no Pontal do Estaleiro e no caso do arranha-céu de 20 andares da incorporadora Melnick, na rua Lima e Silva, que a resposta veio.
A demissão de Santiago pode parecer quase irrelevante, não fosse o contexto obscurantista em que os interesses econômicos cassam as vozes divergentes. Faz companhia ao Santiago, o jornalista Wladimir Ungaretti, impedido de emitir opiniões ou críticas àquilo que é produzido pelo jornal do P-RBS. Também blogueiros processados por lumpens que vivem de patrocínio estatal e escritores que quinta categoria.
Ora, o Rio Grande do Sul é dominado basicamente por dois setores da economia, pelos ruralistas no campo e pelas empreiteiras na cidade. Ambos garantiram ainda no período da ditadura militar, o monopolio midiático na Região Sul, de modo, que a construção de qualquer discurso público seja antes filtrado por seus pareceres e opiniões.
Não causará surpresa se o novo cartunista da revista do CREA for também funcionário do P-RBS.